O quarto da casa grande ecoava com o estalo do chicote de couro trançado, rasgando o ar úmido da noite baiana. Isabela caiu de joelho sobre o açoalho de madeira escura, o vestido branco rasgado nas costas, revelando vergões vermelhos que sangravam devagar. O coronel Ramiro, seu marido, de pé com o peito arfando e o rosto contorcido em fúria, ergueu o braço para mais um golpe.
“Sua ingrata”, rosnou ele, cuspindo as palavras como veneno. “Como ousa questionar minhas ordens na frente dos feitores? Você é minha e só minha”. Dois dias antes, Isabela havia implorado para que ele poupasse uma escrava da chicotada fatal por roubo de comida, mas Ramiro a humilhou publicamente, acusando-a de fraqueza e traição ao legado da família.
Agora, cada vergão era o preço de sua ousadia. O couro sebilou no ar novamente. Isabela sentiu a carne abrir nas costas, o sangue quente escorrendo pela coluna. Sua visão embaçou. As lágrimas ardiam nos olhos inchados. Você nunca aprendeu seu lugar, mulher, continuou Ramiro, a voz em bebebida em cachaça e raiva. Eu te dei nome, casa, posição e você me paga com desobediência.
Isabela ergueu o rosto devagar. Os olhos flamejavam ódio pela primeira vez em 12 anos de casamento forçado. “Você vai pagar por isso, Ramiro”, murmurou ela, a voz rouca, mas firme. “Não com palavras, mas com o que você mais teme. Perder tudo.” Ele riu. Uma gargalhada seca, cruel. Ameaças de uma mulher quebrada.
Você não tem nada, Isabela. Sem mim, você é nada. Mas o que Ramiro não via era o frasco escondido nas dobras da saia. rasgada, o líquido transparente dentro, extraído de folhas de mandioca brava colhidas em segredo nos fundos da censala. Mãe Benedita, a curandeira africana, que a ensinou os segredos das plantas, havia sussurrado as instruções uma semana antes.
Três gotas no vinho dele, siná. O corpo fica duro como pedra, mas a mente continua acordada. Ele vai sentir tudo, ver tudo, mas não vai poder fazer nada. Isabela apertou os dedos no frasco. O vidro estava quente contra sua pele gelada. “Dorme logo, Ramiro”, disse ela, ainda de joelhos.
“Amanhã você vai acordar sem voz, sem movimento, prisioneiro do seu próprio corpo.” Ele a chutou nas costelas. Isabela rolou no chão, sufocando um grito. “Louca!”, cuspiu ele. “Amanhã eu termino o que comecei hoje. Você vai aprender a me respeitar ou vai morrer tentando? Ramiro saiu batendo a porta. Os passos pesados euaram pelo corredor até o salão principal, onde ele sempre bebia antes de dormir.
Isabela ficou imóvel no chão por longos minutos. O sangue formava uma poça escura embaixo dela. A dor latejava em ondas, mas algo mais forte queimava por dentro. Não era apenas raiva, era uma promessa. Ela se arrastou até o espelho rachado na parede. O reflexo mostrava um rosto irreconhecível. inchado, roxo, marcado. Mas os olhos, os olhos brilhavam com uma luz nova, determinação, vingança.
Ele acordará sem corpo sussurrou para si mesma, e eu vou fazer dele o que ele fez de mim. Nada. Lá fora, nas cenzalas, os escravos ouviram os gritos e se encolheram nas esteiras de palha. Eles conheciam bem aquele som, assim apanhando do coronel. Mais uma noite de horror na fazenda São João. Mas o que ninguém sabia era que aquela seria a última noite em que o coronel Ramiro dormiria como senhor absoluto, porque Isabela já havia decidido.
E quando uma mulher decide, nada a faz voltar atrás. No ano de 1875, o recôncavo baiano pulsava com o ritmo opressivo dos engenhos de açúcar. A escravidão ainda reinava absoluta. Apesar dos ventos abolicionistas que começavam a soprar do Rio de Janeiro. A fazenda São João era um microcosmo da brutalidade colonial. Semzalas de palha abafadas pelo calor equatorial, campos de cana que se estendiam até o horizonte.
Enevoado pela humidade constante do litoral, a casa grande se erguia como um palácio de hipocrisia. Azulejos portugueses decoravam os salões, lustres de cristal pendiam dos tetos. Festas mascaravam a miséria que acontecia a poucos metros dali, nas cenzalas, onde mais de 80 escravos viviam amontoados como gado.
A rotina era um ciclo brutal que se repetia todos os dias. Os escravos acordavam antes do sol nascer, ao som do sino que chamava para o trabalho. Seguiam para os canaviais em fila indiana, vigiados por feitores armados com chicotes e espingardas. Moíam cana até os ossos do Eren. Carregavam fardos que pesavam mais que seus próprios corpos.
À tarde, a distribuição de comida, inhame cozido, farinha de mandioca, às vezes um pedaço de sharque rançoso. As porções eram medidas com precisão cruel, o suficiente para não morrer de fome, mas nunca o suficiente para ter forças de sobra. As noites ecoavam com gemidos de dor. Corpos exaustos se arrastavam até as esteiras de palha.
Mães embalavam filhos que choravam de fome. Homens velhos torciam sangue nos cantos escuros. E sempre, sempre havia o medo do dia seguinte, porque na fazenda São Joãoqualquer erro era punido, um olhar errado, uma palavra mal colocada, um tropeço no trabalho. Tudo era motivo para o pelourinho, para o chicote, para as marcas de ferro em brasa.
Joaquim tinha apenas 15 anos quando deixou cair uma gamela de caldo de cana. O coronel Ramiro ordenou 50 xibatadas. O menino não resistiu. Morreu amarrado ao tronco, o sangue formando poças na terra vermelha. Foi enterrado em cova rasa nos fundos da fazenda, sem nome, sem cruz, sem lágrimas permitidas.
Ele era só um menino”, sussurrou uma voz na cenzala naquela noite. “Mãe Benedita, a curandeira africana de quase 70 anos, guardou aquele silêncio como faca afiada. Deus cobra, filha, pode demorar, mas ele cobra.” Isabela de Almeida Ribeiro era a da fazenda São João. Tinha 32 anos, pele clara herdada dos avós portugueses, cabelos negros cacheados que caíam até a cintura, olhos castanhos que já viram demais para a idade que tinha, alta, ereta, com postura de quem foi criada para mandar, mas com um coração que nunca se acostumou com a
crueldade. Ela havia se casado com Ramiro 12 anos antes, não por amor, por obrigação familiar. Seu primeiro marido, primo distante do coronel, havia morrido de febre amarela, deixando a viúva rica em terras, mas sozinha num mundo que não perdoava mulheres sem proteção masculina. A família arranjou o casamento. Ramiro precisava das terras.
Isabela precisava de um nome que a protegesse. Foi um negócio frio, calculado, como tudo naquele mundo. Nos primeiros anos, Ramiro ainda fingia alguma civilidade, mas à medida que o poder foi subindo à cabeça, a máscara caiu. Ele bebia cada vez mais, batia com mais frequência, humilhava publicamente e Isabela aprendia a sobreviver.
Ela gerenciava a cozinha e os escravos domésticos, coordenava as refeições da Casa Grande, supervisionava as roupas, a limpeza, os preparativos das festas. era uma administradora eficiente, mas com uma diferença crucial em relação aos outros senhores. Isabela tratava os escravos como pessoas, não com bondade excessiva.
Isso seria hipocrisia num sistema tão cruel, mas com uma dignidade mínima que os outros senhores jamais consideravam. Ela aprendia seus nomes, perguntava pelos filhos, não batia sem necessidade. E foi assim que conheceu mãe Benedita, a curandeira africana que salvou sua vida durante uma febre violenta quando Ramiro estava viajando. E nenhum médico branco quis atender uma mulher sem a presença do marido.
“As plantas conhecem o segredo sim”, dizia Benedita, preparando chás amargos na cozinha da Cenzala. Elas curam, mas também matam. Tudo depende da dose e da intenção. Cominheiro, Isabela passou meses aprendendo, estudando as folhas, as raízes, as sementes. Descobriu que a mandioca brava, se mal preparada, podia paralisar um homem sem matá-lo imediatamente.
Que a mamona, em excesso causava convulsões terríveis, que certas ervas combinadas produziam efeitos devastadores, invisíveis aos olhos dos médicos da época. Por que a senhora me ensina isso? Perguntou Isabela numa tarde abafada. Benedita olhou nos olhos dela. Olhos velhos, cansados, mas ainda acesos. Porque um dia você vai precisar.
Mulher presa em casa de homem ruim sempre precisa de arma. E planta é a melhor arma porque ninguém suspeita. Isabela também tinha outros vínculos secretos. Zé e Manuel, dois escravos da lavoura, homens fortes, na casa dos 30 anos. Zé era alto, de ombros largos, com cicatrizes de chicote nas costas, que contavam histórias de resistência.
Manuel era mais baixo, mais rápido, inteligente, com olhos que brilhavam quando via Isabela passar. Eles a protegia nas sombras. Quando Ramiro bebia demais e ficava violento, era Zé quem aparecia discretamente na cozinha, fingindo buscar água, mas na verdade garantindo que a Simá não seria morta naquela noite.
Quando feitores olhavam Isabela com malícia, era Manuel quem se colocava no caminho, criando distrações. E Isabela amava os dois em silêncio, um amor impossível, proibido, mas real como o sangue que corria em suas veias. “Siná, a senhora um dia vai ser livre?”, perguntou Zé numa noite em que ela desceu a semzala para levar remédio a uma criança doente.
Isabela ficou em silêncio. Livre? Mulher casada não é livre, Zé. Eu sou propriedade dele, assim como você é propriedade minha. Mas a senhora é diferente. Não sou, não sou. Só cansada. Manuel se aproximou. Se um dia a senhora precisar de nós, estaremos aqui. Isabela olhou para os dois. Naquele momento, entendeu que não estava sozinha, que havia pessoas dispostas a arriscar tudo por ela, assim como ela estava começando a considerar arriscar tudo por eles.
Os antagonistas da fazenda eram bem definidos. Ramiro Chicote Ribeiro comandava tudo, 45 anos, barba espessa, olhos frios como aço. Bebia cachaça desde o café da manhã, dormia com escravas jovens para afirmar domínio. Chicoteava por prazer. Ao lado dele dois feitores leais. João Brasasera um brutamontes que queimava pés de escravos fugitivos com ferro quente.
Dizia que era método eficaz, que ninguém fugia duas vezes depois de sentir o cheiro da própria carne queimando. Joaquim Dente era ainda pior, sádico. Arrancava dentes de escravos que ousavam sorrir durante os castigos. Guardava os dentes num saco de couro como troféus de guerra. Sorrir é coisa de gente livre.
Costumava dizer. Escravo não tem motivo para sorrir. Certa manhã, Ramiro ordenou que uma escrava grávida de 8 meses fosse chicoteada. Ela havia demorado para entregar a colheita. Apenas alguns minutos de atraso, mas atraso era desobediência. Isabela estava na varanda quando viu a cena. A mulher amarrada ao tronco, a barriga enorme projetada para a frente, o chicote cortando o ar.
Ramiro, não! Gritou ela, descendo as escadas correndo. Ela está grávida. Ele parou, virou-se devagar. E daí? Você vai matar a criança. A criança é minha. Faço o que quiser com o que é meu. Isabela ficou paralisada. As palavras eram tão naturais para ele, tão óbvias, como se fosse impossível enxergar diferente.
O chicote voltou a instalar. Uma vez, duas, três. Na décima chicotada, a mulher desabou. Sangue escorria pelas pernas. A criança nasceu morta ali mesmo, no meio do terreiro, aos pés do pelourinho, Ramiro Rio. Agora ela trabalha sem peso nas costas. Agradeça a escrava. Isabela vomitou na grama, subiu correndo para o quarto, trancou-se por dois dias e quando saiu, algo havia mudado para sempre nela.
Semanas depois, um escravo idoso foi acusado de roubar farinha. Ele negava, jurava que não havia sido ele, mas não importava. Acusação era o mesmo que condenação. Ramiro ordenou enforcamento público. Queria que todos vissem, que todos aprendessem. Ele obrigou Isabela a assistir. Você precisa endurecer, mulher.
Precisa aprender que isso aqui não é caridade, é negócio. O velho foi enforcado devagar. A corda muito fina, morreu sufocado, levou quase 10 minutos. Os olhos saltaram das órbitas, a língua ficou roxa. Ramiro se aproximou de Isabela, sussurrou em seu ouvido. Isso é o que acontece com os fracos, Sá. Lembre-se disso. E lembre-se, foi naquela tarde que Isabela procurou mãe Benedita. Me ensina tudo.
Tudo o que você sabe sobre plantas que matam? A velha curandeira estudou o rosto dela, viu a mudança. A senhora tem certeza? Absoluta. Então vamos começar, porque quando a gente decide matar, precisa fazer direito, senão quem morre somos nós. As aulas começaram naquela mesma semana. Isabela aprendia durante as tardes quando Ramiro estava nos canaviais ou bêbado na rede da varanda.
memorizava doses, testava combinações em animais pequenos, observava os efeitos e planejava detalhadamente, friamente, como uma estrategista preparando uma guerra, porque aquilo não era apenas vingança pessoal, era uma declaração de guerra contra tudo o que aquele sistema representava.
Uma mulher presa, escravos torturados, vidas descartáveis. Isabela olhava pela janela do quarto. Lá embaixo, na cenzala, Zé e Manuel trabalhavam sob o sol escaldante, suores correndo, músculos tensos. E ela pensava: “Vocês vão ser livres, eu prometo, mesmo que isso me custe tudo.” A fazenda São João respirava tensão. Os escravos sentiam que algo estava mudando.
Aá estava diferente, mais distante, mais perigosa. E Ramiro, bêbado de poder, por não via nada. Porque homens como ele nunca veem o que não querem ver. Até que seja tarde de mê. A festa na Casagre havia terminado havia duas horas. Os convidados fazendeiros vizinhos, um padre corrupto, duas senhoras gordas, que riam alto demais, já tinham partido em suas carruagens.
O salão cheirava a vinho derramado e charutos apagados. Ramiro estava completamente embriagado. Isabela limpava os copos de cristal na cozinha. As mãos tremiam levemente. Ela sabia que noites como aquela sempre terminavam mal. Ramiro, bêbado, era previsível e perigoso. Isabela a voz dele ecuou pelo corredor, grave, pastosa, cheia de raiva mal contida.
Ela respirou fundo, secou as mãos no avental. Estou aqui, Ramiro. Ele apareceu na porta da cozinha. Camisa desabotoada, cabelos desgrenhados, olhos vermelhos. trazia o chicote de couro trançado na mão direita, aquele que usava apenas para os castigos mais severos. “Você me humilhou hoje”, disse ele, arrastando as palavras. Isabela sentiu o estômago revirar.
“Como assim, aquela escrava, Maria, você pediu para eu não castigá-la na frente dos convidados. Me fez parecer fraco. Era verdade. Durante o jantar, Maria havia deixado cair uma travessa de porcelana. Ramiro se levantou furioso, pronto para chicoteá-la ali mesmo no meio do salão. Isabela havia tocado seu braço, apenas um toque, e sussurrou: “Não, aqui os convidados.
” Ele havia concordado na hora, mas guardou a ofensa, deixou fermentar junto com a cachaça. “Ramiro, eu sou Kele a boca!” Ele avançou, agarrou o cabelo dela, puxou com força. Isabela gritou. Ele a arrastou pelocorredor até o quarto, jogou-a no chão, trancou a porta. Você acha que manda aqui? Acha que tem direito de me questionar? Não foi isso que eu.
O primeiro golpe do chicote cortou o ar. Isabela tentou rolar para o lado. Tarde demais. O couro atingiu suas costas. A dor explodiu como fogo. Ela gritou: “Quieta! Escrava grita! Shara! Aguenta calada! O segundo golpe, o terceiro, o quarto. Isabela parou de contar. A dor se fundiu numa massa contínua de agonia.
O vestido rasgou. O sangue começou a escorrer. “Você é minha!”, gritava Ramiro entre os golpes. “Minha propriedade, assim como todo mundo nessa fazenda”. Isabela caiu de joelhos. As mãos agarraram o chão, as unhas arranharam a madeira. Ela tentou não gritar, mas o corpo não obedecia. Implora perdão”, ordenou ele.
“Silêncio.” Isabela os dentes. Não ia implorar. Não mais. Mais um golpe mais forte. O sangue espirrou na parede. “Implora! Nunca!”, sussurrou ela. Ramiro parou. Por um momento, ficou apenas olhando, depois chutou as costelas dela. Isabela rolou no chão, sufocou um grito. “Você vai aprender”, disse ele já mais calmo, a raiva se transformando em frieza.
“Amanhã eu termino e você vai implorar, vai rastejar, vai me chamar de Senhor.” Ele saiu, bateu a porta, a chave girou na fechadura. Isabela ficou imóvel, deitada no próprio sangue. A dor latejava em ondas. Cada respiração era uma tortura. Mas o que doía mais era a humilhação, a impotência. 12 anos de casamento resumidos naquele momento.
Ela era esposa, sim, mulher branca de posição. Mas ali naquele chão não era diferente das escravas que Ramiro violentava na cenzala. Era só mais uma propriedade, mais um corpo que ele podia quebrar quando quisesse. As lágrimas vieram silenciosas, quentes, misturadas ao sangue. “Mainha vai me salvar?”, sussurrou ela para o vazio.
Uma pergunta de criança sem resposta. Mas então a resposta veio de dentro, não da mãe morta há 20 anos, dela mesma. Vou sim, vou me salvar levando ele para o inferno. Isabela se arrastou até a janela, empurrou a vidraça. O ar noturno entrou frio. Lá embaixo, as cenzalas estavam escuras, mas ela sabia que ninguém dormia.
Todos tinham ouvido os gritos. Ela tirou o frasco da saia rasgada. O vidro estava inteiro, o veneno seguro. Amanhã não sussurrou. Hoje mesmo. Mas o corpo não obedecia. As pernas tremiam demais, a visão embaçava. Isabela desabou na beirada da janela, fechou os olhos. Quando acordou, era madrugada. Alguém batia na janela. baixinho, insistente.
Ela se arrastou até lá, olhou para fora. Zé, escalando a parede, ágil como um gato. Sim, sussurrou ele entrando pela janela. Eu ouvi tudo. Manuel apareceu atrás dele. Os dois entraram no quarto, olharam as costas dela. O sangue seco, os vergões roxos. Ele fez isso. Começou Manuel, mas a voz falhou. Isabela olhou para os dois, viu raiva nos olhos deles.
Raiva verdadeira, não a raiva explosiva de Ramiro, mas aquela fria, calculada, mortal. “Vocês não podem fazer nada”, disse ela. “Se matarem ele, matam vocês também”. “E se assim ramatar?”, perguntou se silêncio. “Não vão matar só ela”, continuou ele. “Vão julgar, podem até absolver. Mulher branca mata marido violento, às vezes perdoam.
Isabela sentou na cama. A dor era insuportável, mas a mente estava clara, cristalina, pela primeira vez em 12 anos. Não quero julgamento, não quero perdão, quero justiça. Entrev em parto bis. Que tipo de justiça? Perguntou Manuel. Ela olhou para os dois, respirou fundo e contou o plano.
O veneno que paralisava o corpo, mas deixava a mente acordada, as três gotas no vinho, a espera até o efeito fazer efeito e depois a humilhação final. Ramiro veria tudo, sentiria tudo, mas não poderia fazer nada. Assim ah, quer que a gente? Zé não conseguiu terminar a frase. Quero que vocês me amem na frente dele. Quero que ele veja que nunca foi o dono de nada, nem de mim, nem de vocês, nem dessa fazenda.
Manuel engoliu seco. Isso é loucura, completou Isabela. Sim, mas vocês têm outra ideia? Zé se aproximou, tocou o rosto dela, delicado, como se tocasse porcelana. A gente sempre soube que a era diferente, mas isso, isso é guerra. E guerra é exatamente o que eu quero. Os três ficaram em silêncio, ouvindo a fazenda respirar lá fora, os grilos cantando, o vento nas folhas, tudo tão normal, tão calmo.
Mas ali dentro, naquele quarto ensanguentado, algo havia mudado para sempre. Quando? perguntou Manuel amanhã à noite. Ele sempre bebe vinho depois do jantar, sozinho no salão. É o momento perfeito. Zé balançou a cabeça. E depois a gente foge, depois a gente decide, mas primeiro justiça. Os dois saíram pela janela, silenciosos como sombras.
Isabela ficou sozinha de novo, mas não se sentia sozinha. sentia-se poderosa. De manhã, Ramiro apareceu no quarto. Trazia café e pão, como se nada tivesse acontecido. “Bom dia”, disse ele, quase gentil. Isabela estava deitada de bruços. Não respondeu: “Ontem eu exagerei”, continuou ele. Nãoera pedido de desculpas, era apenas constatação. “Mas você provocou.
Espero que tenha aprendido. Ela virou o rosto, olhou para ele, sorriu. Um sorriso fraco, mas sincero. Aprende sim, Ramiro. Aprende muito. Ele pareceu satisfeito. Ótimo. Então, hoje à noite jantamos juntos como marido e mulher. Como marido e mulher, repetiu ela. Quando ele saiu, Isabela se levantou.
Cada movimento era agonia, mas ela foi até o espelho, olhou as costas. Os vergões estavam roxos, alguns ainda sangravam. Ela tocou um deles. Sentiu a dor percorrer o corpo inteiro. Isso aqui sussurrou. É a última vez que você me marca. Desceu até a cozinha. Mãe Benedita estava preparando o almoço. Olhou para Isabela, viu as marcas no pescoço, nos braços, entendeu tudo sem precisar perguntar.
Chegou a hora”, sussurrou a velha Chegou. Benedita assentiu, foi até o fundo da dispensa, voltou com um frasco pequeno, líquido transparente como água, três gotas no vinho, não mais, não menos, e espera meia hora. O corpo dele vai travar devagar, primeiro as pernas, depois os braços, por último, a voz. Mas os olhos? Os olhos vão ficar abertos vendo tudo.
Isabela pegou o frasco, escondeu no bolso. Quanto tempo ele fica acima? Depende do corpo. Pode ser horas, pode ser dias, mas no final o coração para sem dor. Só silêncio. Obrigada, mãe. A velha segurou o braço dela, apertou forte. Não agradece, filha, porque depois disso você nunca mais vai ser a mesma. Matar muda a gente para sempre. Isabela olhou nos olhos dela.
Eu já mudei. Ontem à noite, quando ele me bateu até eu sangrar, eu morri. O que sobrou agora é só vingança. O dia passou devagar. Isabela preparou o jantar pessoalmente. Galinha assada, feijão tropeiro, farofa, tudo como Ramiro gostava. Ele comeu satisfeito. Falou sobre os negócios, sobre a safra de açúcar, sobre um escravo que precisava ser vendido por rebeldia.
Isabela apenas escutava, acenava quando necessário, sorria nos momentos certos. Depois do jantar, Ramiro foi para o salão. Como sempre, Isabela serviu o vinho tinto, encorpado. E quando ele não estava olhando, três gotas do frasco. Exatamente três. Ramiro bebeu o primeiro gole. Está bom hoje. É o melhor que tínhamos disse Isabela.
Ele bebeu mais e mais. Terminou a taça, pediu outra. Isabela serviu. Sem veneno dessa vez. Não precisava. 30 minutos. Ela contou mentalmente. 29 28. Ramiro começou a reclamar. Estou com as pernas pesadas. Deve ser o cansaço. 20 minutos. Ele tentou se levantar, não conseguiu. Isabela, o quê? 15 minutos. Os braços caíram inertes.
O que você fê? 10 minutos. A voz falhou. Virou sussurro. 5 minutos. Silêncio completo. Ramiro estava paralisado na poltrona, os olhos abertos, aterrorizados, a boca entreaberta tentando gritar. Mas Samson Isabela se aproximou, ajoelhou na frente dele, olhou nos olhos dele. Isso sussurrou. É pelo que você fez comigo, com os escravos, com todos nós.
Uma lágrima escorreu no rosto de Ramiro, silenciosa, impotente. Agora você vai ver o que é não ter voz, o que é ser propriedade, o que é ser nada. Ela se levantou, foi até a porta, abriu. Zé e Manuel entraram, olharam para Ramiro, entenderam. E começou a noite mais longa da vida do coronel Ramiro Chicote Ribeiro. A noite em que ele perdeu tudo.
Zé e Manuel entraram no salão devagar. Os pés descalços não faziam barulho noalho de madeira. Olharam para Ramiro imóvel na poltrona. Os olhos do coronel se moviam freneticamente. A única parte do corpo que ainda obedecia. Ele tá vendo tudo? Perguntou Manuel. Tudo respondeu Isabela. Mas não pode fazer nada, nem gritar, nem se mexer, só assistir.
Zé se aproximou, ficou de pé na frente de Ramiro, olhou nos olhos dele, viu o pânico, o desespero e algo mais, o reconhecimento. Ramiro sabia exatamente o que ia acontecer. “Lembra de mim, Coronel?”, disse Zé, a voz baixa, mas firme. Eu sou o escravo que o Senhor mandou chicotear, porque olhei para Simá 50 chibatadas. Fiquei uma semana sem conseguir deitar de costas.
Ramiro tentou mover a cabeça. Impossível. Agora eu vou fazer o que o Senhor sempre teve medo que um escravo fizesse. Isabela estava encostada na parede, observando. O coração batia rápido, não de medo, de expectativa, de uma liberdade estranha que nunca havia sentido antes. “Vocês têm certeza?”, perguntou ela, a voz quase inaudível.
Manuel virou para ela. A gente passou a vida inteira sendo propriedade. Hoje a gente vai ser homem de verdade. Isabela assentiu. Começou a desabotoar o vestido. Devagar. Cada botão era uma decisão, uma quebra de tudo que tinha sido ensinada a acreditar. O vestido caiu no chão. Ela ficou apenas com a camisola branca manchada de sangue nas costas.
“Vem”, disse ela estendendo a mão para Zé. Ele hesitou. Por um segundo, pareceu que ia recuar, mas então olhou para Ramiro, viu o ódio nos olhos dele e decidiu. Zé tomou a mão de Isabela, puxou-a para perto, beijou-a. Um beijo longo, profundo, cheio de anosde desejo reprimido. Ramiro tentou gritar. A boca se abriu 1 milímetro. Nenhum som saiu.
Isabela guiou o Zé até o divã de veludo vermelho, o mesmo divã Ramiro costumava dormir depois de beber. Ela deitou devagar. Zé se ajoelhou ao lado. As mãos dele tremiam. “Pode me tocar?”, sussurrou ela. Hoje não tem senhor, não tem escravo, só nós. As mãos de Zé percorreram o corpo dela devagar, com reverência, como se tocasse algo sagrado.
Isabela fechou os olhos, deixou-se sentir. Cada toque era uma vingança, cada gemido, uma declaração de guerra. Manuel se aproximou, sentou no braço do Divan, tocou os cabelos de Isabela, ela abriu os olhos, olhou para ele. “Você também”, disse ela. “Sinha, não me chama assim. Hoje meu nome é Isabela. Só Isabela.” Manuel beijou-a enquanto Zé descia pelo corpo dela.
Três corpos entrelaçados, suor, respiração ofegante. E ali, a poucos metros, Ramiro assistia, paralisado, impotente, os olhos arregalados de horror. Isabela virou o rosto para ele, olhou nos olhos dele, sorriu, um sorriso de pura crueldade. “Você nasceu para me possuir, Ramiro?”, disse ela entre respirações pesadas.
Pois eu nasci para te destruir, do mesmo jeito que você destruiu vidas. Veja o que é ser nada. Zéa penetrou. Isabela arqueou as costas, gemeu alto, não de dor como nas noites com Ramiro, de prazer real, verdadeiro. Isso! Gritou ela. Isso é o que você nunca conseguiu me dar. Manuel beijava seu pescoço. Suas mãos apertavam os seios dela.
Os três se moviam em sincronia. Um ritual de libertação, de vingança, de justiça profana. Ramiro chorava. Lágrimas escorriam silenciosas pelo rosto paralisado. Vi a sua esposa sendo amada por dois escravos. Via seu poder sendo destruído na frente dos próprios olhos e não podia fazer nada, absolutamente nada. “Chora Ramiro”, sussurrou Isabela.
“Chora como as mães choravam quando você vendia seus filhos. Chora como Maria chorou. Quando você matou a criança no ventre dela, a noite avançou. Isabela se entregou aos dois homens. Alternava entre eles: primeiro Zé, depois Manuel, depois os dois juntos. Cada ato era mais ousado que o anterior, mais explícito, mais brutal na mensagem que enviava.
Ele tá sofrendo? Perguntou Manuel em algum momento. Mais do que se a gente tivesse arrancado a pele dele? Respondeu Isabela. Quando amanheceu, os três estavam exaustos. Deitados no chão do salão, Isabela no meio, Zé e Manuel de cada lado, n, suados, livres. Ramiro continuava na poltrona, os olhos ainda abertos, mas alguma coisa tinha mudado.
Não era mais só pânico, era aceitação, como se finalmente tivesse entendido que tinha perdido tudo para sempre. Isabela se levantou, vestiu a camisola, aproximou-se dele. Ainda tá acordado, Ramiro? Ainda consegue me ouvir? Um piscar lento. Sim, ótimo, porque agora vem a melhor parte.
Ela saiu do salão, voltou minutos depois com mãe Benedita. A velha curandeira olhou para Ramiro, balançou a cabeça. Esse homem carrega a morte nos olhos disse ela. Quanto tempo ele ainda tem? Perguntou Isabela. Algumas horas, talvez menos. O coração dele tá lutando, mas vai perder. Isabela assentiu. Então vamos usar essas horas bem.
Mãe Benedita tocou a testa de Ramiro, sentiu a pele fria. Coronel Ramiro Ribeiro disse ela solenemente. O senhor chicoteou meu neto até a morte. Ele tinha 13 anos. Lembra? Ramiro piscou. Lembrava. Pois então, receba a maldição dos que morreram por sua mão. Que sua alma nunca encontre. Que ande eternamente entre os mundos.
Perdida, sozinha. Sofrendo, ela cuspiu no rosto dele. O cuspe escorreu lento pela bochecha. Ramiro não podia limpar. Zé se vestiu. E os feitores? Isabela olhou pela janela. O dia estava amanhecendo. Daqui a pouco João Brasas e Joaquim Dente viriam até a Casa Grande para receber as ordens do dia. “A gente precisa agir rápido”, disse ela.
O plano foi simples. Quando João Brasas chegou, Isabela o recebeu na varanda. sozinha, sorridente. “Bom dia, João. O coronel quer falar com você. Está no salão.” João entrou desconfiado. Era um homem grande, forte, acostumado à violência, mas não esperava o que viu. Ramiro paralisado na poltrona, Zé e Manuel de cada lado, armados com facas da cozinha.
“O quê?”, começou João. Zé foi rápido, muito rápido. A faca entrou pelas costas de João entre as costelas. Direto no pulmão. João caiu de joelhos, tentou gritar. Sangue saiu pela boca. Lembra quando o Senhor queimou meus pés? Disse Zé agachando na frente dele. Disse que eu nunca mais ia fugir, pois eu não fugi, João. Eu fiquei e esperei.
Manuel pegou o ferro de marcar gado, colocou no fogo da lareira, esperou ficar vermelho. Isso aqui disse ele, segurando o ferro em brasa. É para cada pé que o Senhor queimou. Pressionou o ferro no rosto de João. O cheiro de carne queimada encheu o salão. João tentou gritar, mas o pulmão perfurado não deixava.
Morreu em silêncio. Igual aos escravos que ele torturou por anos, Joaquim Dente foimais difícil. Era esperto, desconfiado. Quando chegou e viu que João não tinha voltado, hesitou. Isabela teve que improvisar. Saiu na varanda. fingiu desmaio. Socorro, Joaquim, o coronel, ele tá passando mal. Joaquim correu, entrou pela porta da frente, não viu Manuel escondido atrás.
A pancada na cabeça foi forte. Joaquim desabou. Quando acordou, estava amarrado numa cadeira, no pelourinho, o mesmo onde tantos escravos tinham sido torturados. Os escravos da fazenda toda estavam reunidos ao redor. 80 pessoas, homens, mulheres, crianças, todos em silêncio. Observando, Isabela estava de pé no meio do terreiro.
Zé ao lado esquerdo, Manuel ao direito, Joaquim dente, disse ela, a voz alta e clara. Você arrancou os dentes de quantos escravos? Joaquim cuspiu sangue. Vai me matar, sua Vai descer a esse nível? Não vou te matar não, respondeu ela. Eles vão. Acenou para os escravos. Devagar começaram a se aproximar. Um homem velho, sem três dentes da frente aproximou-se de Joaquim.
Segurava uma pedra grande. Lembra de mim? Perguntou ele. Joaquim empalideceu. Meus dentes. O senhor arrancou um por um. Disse que eu sorri no momento errado. Levantou a pedra, deixou cair no joelho de Joaquim. O osso quebrou com um estalo audível. Joaquim gritou, um grito agudo, desesperado. Agora grita disse o velho. Grita igual a gente gritava.
Um por um, os escravos se aproximaram. Cada um com uma história, cada um com uma conta a cobrar. Uma mulher jovem. Você arrancou meus dentes porque eu chamei meu filho de bonito. Um homem de meia idade. Você quebrou minha mão porque eu segurei sua roupa para não cair. Uma criança de 10 anos. Você matou minha mãe.
O castigo durou horas. Joaquim foi espancado, quebrado, mutilado. Cada golpe vinha acompanhado de uma memória, de uma dor antiga finalmente vingada. Quando morreu, já não parecia humano. Apenas carne e osso destruídos. Os escravos ficaram em silêncio, olhando para o corpo, processando o que tinham feito. “Vocês são livres”, disse Isabela, a voz ecuando pelo terreiro.
Todos vocês podem ir, podem ficar, podem fazer o que quiserem, mas são livres. Ninguém se mexeu. Era como se não entendessem a palavra. “Livres”, repetiu uma voz. “Livres”, confirmou Isabela. Mãe Benedita subiu numa caixa, olhou para todos. Assim a falou a verdade. O coronel tá morto, os feitores também. Essa fazenda agora é de vocês, de nós.
Um murmúrio percorreu a multidão. Descrença, esperança, medo. E agora? Perguntou alguém. Agora respondeu Isabela. A gente decide. Juntos. Voltaram para a casa grande. Ramiro ainda estava na poltrona, mas já não respirava. Os olhos abertos, vidrados, mortos. Ele viu tudo, disse Zé até o último momento.
Isabela olhou para o corpo do marido. Não sentiu tristeza, não sentiu alívio, apenas vazio. “A gente precisa sumir”, disse Manuel. “Quando a notícia se espalhar, vão vir soldados, capitães do mato, caçadores de escravos”. “Eu sei”, respondeu Isabela. Já pensei nisso. Ela tinha um plano. Queimar a casa grande, fazer parecer acidente, dizer que Ramiro morreu no incêndio junto com os feitores, dar tempo para todos fugirem.
E a senhora? Perguntou Zé. Vem com a gente. Isabela olhou ao redor para o salão onde foi humilhada tantas vezes, para a poltrona onde Ramiro morreu, para as paredes que testemunharam sua transformação. Vou, disse ela, não tenho mais nada aqui. Mãe Benedita preparou os mantimentos, comida, água, ervas medicinais, tudo que precisariam para a fuga.
Para onde vão?, perguntou ela. Chapada diamantina, respondeu Isabela. Tem quilombos lá, lugares onde a gente pode recomeçar. Não. A velha abraçou Isabela. Forte. Como mãe abraça filha. Você fez o certo, menina. Doeu. Mas foi certo. Eu matei três homens. Mãe, não. Você fez justiça. É diferente. Ao entardecer, tocaram fogo na casa grande.
As chamas subiram rápido. Madeira seca, móveis antigos. Tudo virou combustível. Os escravos observavam de longe. Alguns choravam, outros sorriam, alguns apenas olhavam sem expressão. Isabela ficou até o telhado de Isabar. Viu as vigas caírem, as paredes racharem, 12 anos de prisão virando cinzas. Pronta? Perguntou Zé. Pronta.
Os três começaram a caminhar rumo às montanhas, rumo à liberdade. Atrás deles, a fazenda São João queimava. A fumaça subia como oferenda aos céus ou ao inferno. Tanto fazia. O importante era que tinha acabado a opressão, o medo, a humilhação. Isabela olhou para trás uma última vez. Viu as chamas dançando, viu os escravos começando a se dispersar, cada um buscando seu próprio caminho.
“Eu sou livre”, sussurrou, testando as palavras, sentindo o gosto delas. E, pela primeira vez em 12 anos, acreditou. Seis meses depois, nas montanhas da Chapada Diamantina, Isabela acordou com o sol batendo no rosto. A cabana de madeira era simples, mas era dela, verdadeiramente dela. Ao lado, Zé e Manuel ainda dormiam.
Os três haviam construído uma vida ali, junto comoutros fugitivos que encontraram no quilombo. Trabalhavam à terra, plantavam mandioca, milho, feijão, dividiam tudo igualmente. Isabela tocou a barriga que começava a crescer. Não sabia se o filho era de Zé ou Manuel e não importava, seria filho dos três. Criado em liberdade.
Mãe Benedita havia chegado duas semanas antes, trazendo notícias. A fazenda São João fora confiscada pela coroa. Os escravos se espalharam. Muitos conseguiram chegar a quilombos. Outros conseguiram papéis falsos de alforria. E sobre mim? Perguntara Isabela. Dizem que assim a morreu no incêndio junto com o coronel. respondeu a velha sorrindo.
Isabela de Almeida Ribeiro está morta. Quem vive aqui é só Isabela. Naquela manhã, Isabela saiu da cabana, olhou as montanhas verdes, respirou fundo o ar limpo. Zé a abraçou por trás. Bom dia, meu amor. Manuel trouxe café fresco. Hoje vamos plantar na área nova. Ah. Isabela sorriu. Um sorriso verdadeiro, livre.
Vamos, disse ela, vamos plantar nosso
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